Vida Cristã

Escrito por Elton Melo

Todas as batalhas são vencidas através das ações práticas.  Quando os hebreus saíram do Egito sob a poderosa mão do Senhor, sua jornada só estava começando. Foi uma longa caminhada de quarenta anos e ao longo do caminho, vários problemas, crises, confusões e situações precisaram ser resolvidos. Haviam também povos inimigos que não permtiam que o povo de Deus passasse pelo seu território. Outros ainda sairam à guerra contra o povo de Deus. Observemos um texto da Palavra de Deus, para compreender como Deus planeja nos dar a vitória.

"Sucedeu que os amalequitas vieram atacar os israelitas em Refidim. Então Moisés disse a Josué: “Escolha alguns dos nossos homens e lute contra os amalequitas. Amanhã tomarei posição no alto da colina, com a vara de Deus em minhas mãos”. Josué foi então lutar contra os amalequitas, conforme Moisés tinha ordenado. Moisés, Arão e Hur, porém, subiram ao alto da colina. Enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas, os israelitas venciam; quando, porém, as abaixava, os amalequitas venciam. Quando as mãos de Moisés já estavam cansadas, eles pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele, para que nela se assentasse. Arão e Hur mantiveram erguidas as mãos de Moisés, um de cada lado, de modo que as mãos permaneceram firmes até o pôr-do-sol. E Josué derrotou o exército amalequita ao fio da espada." Êx 17.8-13

Em Refidin os amalequitas pelejaram contra Israel e não era uma situação fácil, Eles habitavam no deserto há muitos anos e eram hábeis, organizados e estavam fortemente armados. A ideia era eliminar Israel, antes que os hebreus tomassem suas terras. Moisés chamou seu valoroso ajudante Josué e deu a seguinte ordem a ele: “Escolhe-nos homens, e sai, peleja contra Amaleque; amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.” (Êxodo 17.9). Apesar de saber os limites óbvios da ordem recebida, Josué a cumpriu e foi pelejar contra Amaleque, porém ele não foi o único a sair para a guerra, pois três homens subiram a um outeiro (colina) para interceder pelo exército meia sola de Israel: Moisés, Arão e Hur. Esta passagem nos ensina três lições importantes:

1 -Compreender que a luta não é física, mas espiritual

É claro que era necessário enviar guerreiros para o combate, mas o lugar mais importante daquela contenda era o alto da colina. O grande líder discerniu que se tratava, antes de tudo, de uma guerra espiritual. Moisés sabia que o conflito não seria decidido na frente da disputa, mas no monte. Por isso ele se dirigiu para lá. Moisés levantou as mãos em direção ao campo de guerra e Israel começou a prevalecer contra Amaleque e seu numeroso exército, só teve um probleminha: quando Moisés cansava e abaixava as mãos, os amalequitas prevaleciam contra Israel. Mãos erguidas: vitória de Israel, mãos abaixadas: derrota de Israel, do jeitinho que acontece até hoje na vida dos servos de Deus: mãos erguidas em oração: vitória garantida, mãos abaixadas: derrota certa. Na verdade mãos abaixadas simbolizam cansaço, fadiga, relaxamento, falta de compromisso, é quase igual a braços cruzados. A vitória vem de Deus, mas isso não dispensa nossa parte, que é uma vida em comunhão com Ele, pelo contrário, sem oração, sem intercessão, sem pedido de socorro estamos todos fritos.

2 - Orar intercedendo ao Senhor

A dinâmica do combate era resultado do que acontecia no alto da colina. Quando Moisés mantinha as mãos erguidas, os israelitas prevaleciam; quando as abaixava, eram os amalequitas que venciam a luta. O que isso nos ensina? Mãos levantadas significam intercessão e, logicamente, mãos abaixadas, falta de intercessão; Moisés estava no alto da colina pedindo ao Senhor em favor de seu povo. Temos de perceber o poder da intercessão e a influência do mundo espiritual sobre o mundo natural. Foi o que aconteceu quando Daniel buscou a Deus em jejum durante 21 dias, (Daniel 10). Nesse ínterim, houve verdadeiramente uma batalha na esfera espiritual, até que a resposta foi entregue ao profeta (a resposta tinha sido enviada no primeiro dia).

3- Oração em conjunto

Sozinho, Moisés não aguentaria aquela batalha de oração. Com o passar do tempo as mãos de Moisés foram ficando mais pesadas, ele já não era nenhum menino, estava idoso e cansado, mas a peleja continuava e suas mãos tinham de ficar erguidas. Então Arão e Hur, usando suas inteligências, puseram uma pedra debaixo de Moisés para que ele se sentasse nela e ficaram de ambos os lados sustentando as mãos cansadas do bom e velho Moisés e assim ficaram firmes, até o por do sol. O grande libertador não estava sozinho; ele pôde contar com a ajuda dos irmãos. Precisamos uns dos outros. Precisamos ajudar-nos uns aos outros.

Conclusão

A vitória foi extraordinária e nos deixa alguns legados:  Qual foi o papel de cada um dos personagens? Qual a lição a aprender com a atitude dos liderados? Quem foi o responsável pela vitória? Qual a importância da intercessão da equipe? Moisés era o líder do povo. A sua luta era a luta de todos. Da mesma forma, a sua vitória foi a vitória de todos. Moisés, Arão e Hur estavam juntos, com a mesma visão e o mesmo propósito. Arão e Hur foram  tão importantes, quanto Josué e seus homens que lutaram corpo a corpo. Vamos permanecer com os nossos braços levantados? Vamos levantar um clamor pela nossa terra, constantemente atacada pelos inimigos? Vamos ajudar nossos irmãos a permanecer com as mãos levantadas? 

O Senhor disse a Moisés: “Escreve isto para memória num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que eu totalmente hei de riscar a memória de Amaleque de debaixo dos céus.” (Êxodo 17.14). Moisés escreveu no Livro de Êxodo.  Nenhuma batalha se vence só na conversa, é preciso base de sustentação, conteúdo, propósito claro, conhecimento, aptidão e tudo isso, na vida dos servos do Senhor, tem um nome: Jesus Cristo. Sem Jesus não há vitória, por mais que as aparências digam o contrário, por mais que um cidadão sem Deus aparente ser um vencedor. Coisas, dinheiro, bens materiais só se traduzem em vitória nas vidas que estão nas mãos certas, nas mãos do único que morreu em nosso lugar.