Vida Cristã

Escrito por Elton Melo

Concupiscência é o termo utilizado para designar a cobiça ou apreço por bens materiais, assim como os prazeres sexuais. Etimologicamente, este termo se originou a partir do latim concupiscens, que significa “o que tem um forte desejo”, que deriva da palavra concupera, que quer dizer “ter forte desejo”. De acordo com algumas doutrinas religiosas, como o cristianismo, por exemplo, a concupiscência é sinônimo de libertinagem ou lascividade carnal. Esta ação, consequentemente, é tida como um pecado. Saiba mais sobre o significado de lascívia e de libertinagem. Concupiscência da carne A concupiscência da carne, no âmbito religioso, caracteriza o uso do desejo e prazer sexual como único sentido para a vida. Este comportamento seria de desagrado para Deus, segundo os religiosos. A bíblia cristã ainda fala sobre a “concupiscência dos olhos”, que seria o desejo pecaminoso do prazer carnal praticado na imaginação das pessoas. "Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre." (1 João 2: 16-17).

 

 

Uma dessas palavras que aparecem em alguns versículos é a concupiscência. Um dos versos mais famosos em que essa palavra aparece, e que confunde muita gente quanto ao significado, é esse: “porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” (1 João 2. 16) O que significa concupiscência dos olhos, da carne? Concupiscência significa um forte desejo, um forte anseio de fazer algo que desagrada a Deus ou de ter coisas de uma forma que desagrada a Deus. Algumas traduções bíblicas a traduzem como “desejo” ou como “cobiça”. Em um sentido amplo, qualquer desejo, ou cobiça, ou anseio por fazer ou ter coisas que são pecado e desagradam a Deus, se enquadram no significado dessa palavra. Por exemplo, quando em 1 João 2. 16 fala sobre a “concupiscência da carne” está falando sobre o desejo pecaminoso da carne em todas as suas facetas. Quando fala sobre “concupiscência dos olhos” também fala sobre o desejo pecaminoso de olhos que buscam aquilo que desagrada a Deus. Assim, vemos que concupiscência não se aplica apenas a área sexual como alguns pensam, mas a todas as áreas onde o desejo humano de alguma forma desagrada a Deus, ofendendo-o através da prática continuada do pecado. O texto de Paulo aos Romanos exemplifica bem essa questão: “Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda sorte de concupiscência; porque, sem lei, está morto o pecado.” (Rm 7. 8) Por fim, a vitória sobre a concupiscência só pode ser conseguida através do “andar no Espírito”, ou seja, na busca em fazer a vontade de Deus negando a nós mesmos com todos os nossos desejos que são errados. “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.” (Gálatas 5. 16) 

A tendência natural de todos nós é seguir aquilo que amamos e desejar aquilo que nos agrada. Porém, se não nos precavermos, corremos o risco de cultivar em nós desejos que são desordenados e fora dos limites estabelecidos por Deus "...Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida..." 1 João 2: 16 Tenho afirmado constantemente em meus sermões que "o excesso de coisas boas trazem resultados ruins e pecaminosos" e muitos, por não observarem este excesso, têm-se entregado aos seus desejos venenosos, traindo a si mesmos, a Deus e ao próximo. O texto de 1João 2:16 traz, com muita precisão, três destes desejos mais peçonhentos. A concupiscência da carne Concupiscência da carne é marcada por práticas desvirtuadas em busca de satisfação do apetite sexual. São as imoralidades e toda espécie de perversões que se possa imaginar. Uma vida realmente desregrada, sem limites. O indivíduo passa a ser escravo de si mesmo. É como se houvesse um monstro dentro dele, mais forte do que ele, convencendo-o constantemente a continuar satisfazendo seus apetites carnais que não possuem fronteiras. Os prejuízos são enormes, além da perda da reputação, do pudor e do caráter, perde-se a salvação, a presença do Espírito Santo que deve habitar no homem. Enfim, é um pecado que conduz a alma para o inferno, Rm 8: 8; Rm13: 14 e Ap 21: 8. A concupiscência dos olhos Concupiscência dos olhos é desejo intenso de aquisição de bens materiais, de desfrutar do gozo material. É o desejo de possuir, desejo de adquirir coisas, de acumular. Surge mediante a contemplação das vantagens terrenas, como riquezas, famas e prazeres. O indivíduo corre desenfreadamente atrás daquilo que ele não trouxe para este mundo, 1Tm 6: 7. Este desejo é também conhecido como "avareza". O avarento se apega demasiadamente às coisas materiais, esquecendo-se de Deus. Seus olhos não vêem o vertical, de onde vem sua redenção; somente vêem o horizontal, o mundo e as coisas que nele há. O primeiro grande mandamento é "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração...", Mc 12: 30. Quem deseja possuir, adquirir desta forma os bens desta vida está incapacitado de amar a Deus. Os seus olhos estão saturados, voltados tão somente para os elementos materiais, a riqueza, a economia, de tal forma que não conseguem mais ver Deus em seu caminho, 1Tm 6: 10. A soberba da vida A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Tudo que faz é só para se promover, para que seu ego seja massageado através dos elogios, dos parabéns, dos cargos que possui, das funções que exerce, da formação que tem, etc. Se tudo é necessário, mas se não for bem administrado pode ser um veneno mortífero para aqueles que almejam posições. Há quem diga que "o poder pode embriagar". De fato, isso pode ocorrer, se não for canalizado de forma correta. Uma grande virtude em nossas vidas é "quando sentimos que somos o maior de todos os pecadores e o menor de todos os santos". Quando temos o próximo sempre superior a nós. Isto é uma bênção. Que Deus nos salve de nós mesmos e que nossos desejos sejam controlados pelo Espírito Santo.

 

 

stas três realidades – “comer”, “atraente para os olhos” e “desejável para obter conhecimento” – perpassam toda a história da humanidade: representam a tendência do homem para o prazer, para possuir as coisas e para o poder, essa última entendida como uma espécie de astúcia operativa. São João entendeu bem isso, quando escreveu que “tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza [a soberba da vida] – não vem do Pai, mas do mundo”. E o próprio Senhor, no deserto, foi tentado pelo demônio com essas três matérias. Primeiro, Satanás propôs a Ele que transformasse pedras em pão, a fim de comer. Depois, “mostrou-lhe, num relance, todos os reinos da terra” e prometeu dar-Lhe tudo aquilo, se Se prostrasse diante dele. Por fim, tentou Jesus a fazer uma demonstração de poder: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo”. Nosso Senhor venceu as três tentações, mostrando ao homem que é possível, com a Sua graça, vencer a carne, decaída pelo pecado original. Mas, que são essas três coisas que com razão se podem chamar de “raízes” do pecado? Tratam-se de três libidos (libidines, em latim). O que Eva perdeu por orgulho, Maria Santíssima ganhou por humildade; clique na imagem para receber sua Medalha do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo A primeira, a libido amandi, é o apetite desordenado que “tem por objeto tudo o que pode fisicamente sustentar o corpo seja para a conservação do indivíduo, alimento, bebida etc., seja para a conservação da espécie, as coisas venéreas”. O objeto dessa concupiscência é tanto a gula quanto o sexo desordenado, que é o vício da luxúria. É curioso que, na mesma época em que se vê o fenômeno da anorexia, de meninas que morrem de fome porque não querem comer, percebe-se uma humanidade que busca o prazer venéreo, mas não quer assumir a responsabilidade dos filhos. As pessoas querem comer, mas não querem engordar; querem fazer sexo, mas não querem estar abertas à vida. A segunda, a libido possidendi, “é concupiscência animal, e tem por objeto as coisas que não se apresentam para a sustentação e o prazer da carne, mas que agradam à imaginação ou a uma percepção semelhante, por exemplo, o dinheiro, o ornato das vestes, e outras coisas deste gênero”. É esta espécie de concupiscência que se chama de concupiscência dos olhos. A terceira é a libido dominandi. É a soberba fundamental de querer ser igual a Deus, como fez Satanás. Enraizada no irascível, essa libido deseja o bem enquanto algo árduo: “Quanto ao apetite desordenado do bem difícil, pertence à soberba da vida, sendo que a soberba é o apetite desordenado da excelência.” É para combater essas três causas do pecado que se praticam as três obras quaresmais: o jejum, a esmola e a oração; e também os três votos evangélicos: a castidade, a pobreza e a obediência. Também aqui se identificam os nossos relacionamentos com o outro, com as coisas e conosco mesmos. Se abusamos de outra pessoa, usando-a como objeto para obter prazer, estamos cedendo à concupiscência da carne; se idolatramos as coisas, pensando estar nelas a nossa felicidade, cedemos à concupiscência dos olhos; e se fazemos de nós mesmos deus, estamos na soberba da vida. Deus criou o homem para que ele participasse de Sua divindade, mas ele deveria sê-lo pela graça, não por suas próprias forças. Quando Eva “se apega ciosamente ao ser igual a Deus”, ela rouba, com “ἁρπαγμὸς” (lê-se: harpagmós): as suas mãos se fecham para pegar para si. As mãos de Cristo são o contrário das mãos de Eva: elas se abrem para dar. Enquanto Eva quis, Cristo tudo entregou. Enquanto as mãos de Eva se voltam ao lenho para pegar, as de Cristo se deixam pregar ao lenho da Cruz para dar. Da primeira árvore nos vêm a desgraça e a morte; da segunda, a graça e a vida, a nossa salvação.

Referimo-nos aqui ao conceito enunciado da primeira Epístola de São João 2, 16-17: “Tudo o que há no mundo —a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida— não vem do Pai mas do mundo. Ora, o mundo passa e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. É óbvio que, para compreender estas palavras, se torna necessário atender muito ao contexto em que elas estão incluídas, ou seja, no contexto de toda a “teologia joanina”, sobre a qual tanto se tem escrito1. Todavia, as mesmas palavras inserem-se, ao mesmo tempo, no contexto de toda a Bíblia: pertencem ao conjunto da verdade revelada sobre o homem, e são importantes para a teologia do corpo. Não explicam a concupiscência em si mesma na sua tríplice forma, pois parecem pressupor que “a concupiscência do corpo, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida”, são, em certo modo, um conceito claro e conhecido. Explicam, pelo contrário, a gênese da tríplice concupiscência, indicando que provém não “do Pai”, mas “do mundo”. 2. A concupiscência da carne e, juntamente com ela, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, estão “no mundo” e ao mesmo tempo “vêm do mundo”, não como fruto do mistério da criação, mas como fruto da árvore do conhecimento do bem e do mali no coração do homem. O que frutifica na tríplice concupiscência não é porém o “mundo” criado por Deus para o homem, cuja “bondade” fundamental encontramos repetidamente em Gn 1: “Deus viu que isto era bom,… que era muito bom”. Na tríplice concupiscência frutifica, pelo contrário, a ruptura da primeira aliança com o Criador, com Deus-Eloim, com Deus-Javé. Esta aliança foi quebrada no coração do homem. Seria necessário fazer uma análise conscienciosa dos acontecimentos descritos em Gn 3, 1-6. Todavia, referimo-nos em geral só ao mistério do pecado, aos inícios da história humana. Na verdade, só como conseqüência do pecado, como fruto da ruptura da aliança com Deus no coração humano —no íntimo do homem— o “mundo” do Livro do Gênesis se tornou o “mundo” das palavras joaninasii: lugar e fonte de concupiscência. Assim, portanto, o enunciado segundo o qual a concupiscência “não vem do Pai, mas do mundo”, parece dirigir-nos, uma vez mais, no sentido do “princípio” bíblico. A gênese da tríplice concupiscência, apresentada por João, encontra neste princípio o seu primeiro e fundamental deslustramento, uma explicação que é essencial para a teologia do corpo. Para entender aquela verdade de importância universal sobre o homem “histórico”, encerrada nas palavras de Cristo durante o Sermão da Montanhaiii, devemos de novo voltar ao Livro do Gênesis, deter-nos ainda “no limiar” da revelação do homem “histórico”. Isto é tanto mais necessário, quanto esse limiar da história da salvação se apresenta ao mesmo tempo como limiar de autênticas experiências humanas, segundo verificaremos nas análises seguintes. Nelas reviverão os mesmos significados fundamentais, que deduzimos das precedentes análises, como elementos constitutivos de uma antropologia adequada e de um profundo substrato da teologia do corpo.

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